Psicóloga CRP 06/53845-4

Automutilação

Magdail Brogna      sexta-feira, 25 de setembro de 2015

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A automutilação caracteriza-se pelo ato de se machucar de forma intencional. São comportamentos danosos infligidos contra o próprio corpo: mordidas, beliscões, cortes, perfurações, espancamentos, queimaduras, socos contra a parede.

As lesões podem ser superficiais, outras vezes moderadas ou mais profundas e apresentam níveis diferentes de gravidade, que vão desde arranhões na pele com as unhas ou queimaduras feitas com cigarros; outras vezes cortes superficiais nos braços, pernas e barriga; e em outras ocasiões podem ser mais graves, com cortes profundos provocados por facas, estiletes, giletes, cacos de vidro; ou a introdução de objetos no corpo (como agulhas), chegando até mesmo à retirada de partes do corpo (como os lobos da orelha).

Apesar de toda essa descrição chocante, tais ações são impulsivas e não possuem um caráter suicida. Quem as pratica não deseja se matar de fato, mas, aliviar uma angústia insuportável.

Este problema atinge cerca de 2% da população mundial, com predominância do sexo feminino. Os sintomas costumam surgir durante a adolescência, permanecendo por aproximadamente uma década na maioria dos casos.

Muitas vezes a automutilação está associada à frustrações pertencentes ao universo adolescente e suas descobertas, como desilusões amorosas, uso de álcool e drogas, problemas de adaptação na escola ou na interação com amigos, crises na família, solidão, etc.

É importante diferenciar os comportamentos automutilatórios do suicídio, que busca solução da dor na morte. Na automutilação o que ocorre é uma tentativa desesperada de não morrer, é uma tentativa de se sentirem melhor, de aliviarem o sentimento de angústia que os persegue. Buscam, através do ato de marcar o corpo e de suas cicatrizes, comunicar sua incapacidade de verbalizar sua angústia de viver.

No entanto, existe um perigo real de morte quando um corte é feito com maior profundidade em um local perigoso do corpo, até porque, muitos desenvolvem tolerância à dor, ou seja, deixam de sentir dor.

Normalmente quem se automutila mostra-se na vida social retraído, superficial, introspectivo e reservado. Apresentam instabilidade emocional, alternando estados de alegria e descontração, com depressividade. O contato físico com outras pessoas é difícil, independentemente deste contato ser agressivo ou carinhoso.

É comum sentirem vergonha de suas marcas e as tentam manter escondidas, porque percebem a reprovação das pessoas e sentem-se excluídos, muitas vezes, do grupo dos considerados “normais”. Também dificilmente pedem ajuda a alguém, mantendo-se isolados em seu sofrimento.

Na base da automutilação notamos uma autoestima muito baixa e a crença de que seu sofrimento é merecido, o que demonstra aspectos punitivos.

Os atos mutilatórios são praticados na intimidade do quarto ou durante o banho, longe dos olhares de outras pessoas. Também podem ocorrer simultaneamente alguns transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.

      Tratamento

 Algumas vezes são necessários cuidados médicos, pois determinados cortes podem ser profundos e exigem intervenção cirúrgica ou uso de medicamentos, inclusive, medicamentos psiquiátricos.

A psicoterapia é fundamental porque possibilita a esses pacientes falar de suas dores físicas e emocionais, nomear sua angústia e, assim, substituir o alívio do corte pelo alívio da fala. É um espaço onde eles podem se sentir acolhidos e compreendidos em sua dor.

 

Referências bibliográficas

Cedaro, José J.; Nascimento, Josiana P. G.; Dor e Gozo: relatos de mulheres jovens sobre automutilações. Psicologia USP vol.24 nº 2 São Paulo, 2013.

Gabbard, Glen O.; Psiquiatria Psicodinâmica; Porto Alegre: Artmed, 1998.

Revista Marie Claire edição 216 – março 2009 – editora globo.

Psicologa em Osasco

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